sexta-feira, 5 de novembro de 2010

[...]

Lembro que mamãe me arrastou para fazer compras. Ela sempre fazia isso. Mas se eu me comportasse direitinho ela me levava a uma loja de balas e doces. Essa era a minha recompensa. Mal havíamos chegado, quando ela avistou uma amiga do outro lado da loja. Foi até lá para conversar e me deixou ali parado. Levou algum tempo, mas finalmente percebi que estava só. Eu e os baleiros cheios de doce. Uma vida inteira de sonho, e ninguém para me ver. Ninguém para me deter.
            Quando mamãe voltou, encontrou-me parado lá, tremendo, as faces vermelhas; os punhos tão cerrados que quase sangravam. Ai, como queria por as mãos em todos os doces que eu pudesse, abarrotar os bolsos e depois sair dali e me encher de bala até não poder mais. Só pararia quando estivesse absolutamente saciado.
            Mas eu tinha medo. Medo de ser descoberto. Aterrorizado com a perspectiva de que jamais me deixassem entrar na loja novamente, e de não ser capaz de engolir doce o bastante para ser feliz para sempre. Tinha medo.
            Não tenho mais.

Retirado de Vampire the Maquerade™
Autor: Mark Rein-Hagen

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